quarta-feira, 25 de abril de 2012

[#88] [Mise-en-scène poético] Máscaras

CrOMOsSOMOScriATIVOS 2012©
Puerto Madero, Buenos Aires
Last night in Argentina, at Puerto Madero, Buenos Aires















"AMANHÃ não quero ver-te."
"Alguma razão em especial?"
"Venho cá todos os dias, cansa-me muito."
"Então fica um pouco mais."
"Não, preciso partir, já é tarde."
"Nem para um café me aguardas?"

(breve silêncio)
(cabeça a inclinar-se)
(olhar ao longe)
(desespero)
(sorriso tímido)
(braços abertos)

E assim dava-se a fatídica despedida:
Um quase roce dos lábios, úmidos, cálidos,
O leve toque das mãos, delicadamente postas,
Despertava-lhes um sentimento adormecido,
Cujas regras e a boa conduta frente à sociedade
Não permitiam que seguissem em frente...

Ao aparentar audácia, tento encobrir meus temores,
Jamais externaria o turbilhão de sensações que vivo!
Sou personagem de mim mesmo, cênico (mas nunca cínico).
Ao demonstrar timidez, finjo controlar ações e movimentos,
Porém padeço do mesmo tormento, a falta de ti me consome!
Máscaras: assim vivemos, sob máscaras...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

[#67] [Breve Antologia - Parte 1] Textos perdidos num telefone celular...

s4br 2008©
Milford in America: Bikers waiting for the green light in Santa Monica, California.
Milford in America: Bikers waiting for the green light in Santa Monica, California.

De fato, nem sempre se pode estar frente a um computador (os mais tradicionais, a uma máquina de escrever), menos ainda ter papel e caneta em mãos, quando bate aquela inspiração, quando vem aquela ideia voraz, sedenta por ser transformada em texto.

Confesso que sofro constantemente deste mal, pois na maioria das vezes em que tais 'ideias vorazes' surgem é quando estou num saguão de aeroporto, aflito, frente ao portão de embarque, sempre partindo de algum lugar, nunca chegando a lugar algum.

Os poucos minutos que sobram, o cartão de embarque meio amassado, a mochila pesando nas costas (utilizo um laptop que de tão pesado que é, mais se parece uma 'Olivetti Lettera 82'!), a sacola pesada das compras do 'Duty Free', a tensão de saber se o avião decola logo ou não.

Neste conturbado cenário, talvez para tentar fugir da tensão do momento, talvez para sentir o tempo passar menos maçante, passo escrever em meu telefone celular. Letras pequenas, dicionário interno em outro idioma, tudo conspira para que não saia um texto minimamente legível.

Aquela voz distorcida pelos alto-falantes, da qual se compreende somente o número do voo e que ainda não é minha vez de subir à aeronave, corta-me o raciocínio, faz com que as palavras fujam, escapem por entre os ocupados dedos sobre o pequeno aparelho telefônico móvel.

Tento, não desisto, busco o verbete que faltava para compor a frase, o verso. Em vão, pois à mente só me vem 'avião', 'voar', 'sumir', 'desaparecer', 'tire-me daqui', 'por que não escolhi outra profissão', 'abaixe o volume do seu MP3, por favor', 'segure a criança, antes que ela se machuque', etc, etc...

Entretanto, em pequenos arquivos de texto, habilmente digitados e transferidos via 'Bluetooth' (e viva o guerreiro do Dente Azul!), vão surgindo, guardados num diretório escondido, raramente acessado.

Os textos exibidos à seguir são feitos desta matéria-prima. As mesmas ideias, outrora dispersas, passam a acumular-se, a justapor-se, a serem um novo conjunto, heterogêneo e dinâmico, retratos e fragmentos de diferentes momentos, de uma vida cansativa, às vezes ingrata, mas nunca desprovida de seu devido valor.

Viagens, ideias e momentos que tão cedo não se acabam. Há muito ainda por vir, o tempo urge, mas a nosso favor.

Forte abraço!



(1-2-3, testando!) Sem preocupação!
NINGUÉM, seja dia, seja noite, deveria preocupar-se,
Pois é tempo de viver, de mover, de somar!


Quelque chose en Français...
C'EST la vie...
Je ne sais pas que écrire...


¡Vamos, José!
EN español,
Todo parece más bonito, más hermoso, ¿verdad?


(e agora valendo!) Inequívoco e inevitável
JAMAIS, seja dia, seja noite, tememos o mais, o melhor, o virtuoso, o verdadeiro.

Juntos, nunca conformados com o menos, com o ruim, com o mais ou menos, com o falso.

Inequívoco, ainda que as tentativas sejam muitas, o resultado chamado experiência, nos gratifica, nos melhora, nos aperfeiçoa.

Inevitável, pois por mais que busquemos tratados, fórmulas e algoritmos para descrevê-la, é na prática que realizamos tal simbiose.

Conciliados, vivemos razão e emoção, introspecção e explosão, mente e corpo em constante movimento, em equilíbrio dinâmico, energia cinética a fluir sem atritos, sem barreiras.

Combinados, somos a flor, que presenteia com seu perfume e aroma únicos e peculiares, aquele que a cultiva, o jardineiro, que a faz crescer e luzir como jamais se viu até então.

E a cada vez, a cada encontro, um pouco mais. Sempre mais. Muito mais.



(economia poética) Saudade pré-datada
SAUDADE pré-datada, nostalgia parcelada,
Incompletude à vista, solidão a prazo,
Distância cobra juros e correção monetária...

Ansiedade inadimplente busca acordo amigável,
Custo da imperfeição, benefício da dúvida,
Todo silêncio em baixa, cada lembrança em alta...



(um questionamento) Perguntei-me
UM dia me perguntei:
O que estou fazendo neste lugar?
Já não vi o bastante em tanto tempo de estrada?
O mesmo asfalto, a terra batida, o concreto?
Talvez não signifiquem mais o que antes eram...



(outro questionamento) Voltar aqui

E voltar aqui pra que?
Pra conferir se a escolha feita foi a mais adequada?
Pra saber se aquele que aqui ficou está (de fato) melhor do que outrora?





(fatalista, eu?) Inevitável

AINDA que inevitável, insisto em seguir igual,
Teimo em pensar que o tempo não passa,
Sinto-me incômodo, a mente confusa,

E o coração, como sempre, vacilante...




(nesta ou) Naquela noite...

DESEJEI que o momento não passasse tão depressa,
Esperei que o toque perdurasse por mais tempo,
Almejei que o beijo não cessasse (tão) de repente...



(epílogo) Ainda naquela noite...

A verdade é que estou em crise de abstinência de você...


quinta-feira, 27 de maio de 2010

[#87] [poema via Telex] Doze horas e quatro tempos

CrOMOsSOMOScriATIVOS 2009©

Toda hora é hora de contemplar o tempo frente ao meu saudoso mar...


DESTRUIÇÃO (Your 7th Heaven or my 1st Hell?):
Não posso seguir desta maneira, abro o jornal
E as más notícias do mundo fazem-me sofrer ainda mais...
One o'clock. Two o'clock. Three o'clock.

Desconstrução (Til broad daylight):
Velhos conceitos e novos vícios perdem força,
Reconheço a derrota e sigo em frente.
Four o'clock. Five o'clock. Six o'clock.

Reconstrução (I'm the band slowing down):
Confortavelmente sentado, sob lentes escuras
Aprendo a contemplar a passagem do tempo.
Seven o'clock. Eight o'clock. Nine o'clock.

Renovação (Living around the clock):
Bem mais calmo, beberico meu copo d'água mineral,
Abandono pressa e pressão, serei eu mesmo, o mesmo, diferente.
Ten o'clock. Eleven o'clock. Twelve o'clock.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

[#86] [poesia destilada] Doirado e Duradouro

CrOMOsSOMOScriATIVOS 2010©
 
O que são 15 anos? Talvez, a justa medida da paciência adquirida.

HÁ dias em que se sinto-me genuinamente incrível.
Jamais eternos, mas que fossem um pouco menos efêmeros,
Em que tudo surge naturalmente, busca não mais necessária,
Encontros inusitados, sensação única e duradoura.

Há outros, em que se pudesse, deixaria de existir.
Claro, não é para sempre, mas só por um instante,
À procura de algo redentor, libertação verdadeira,
Nada de fuga, alívio imediato ou temporário.

Ouço uma canção conhecida, as mesmas notas musicais,
Entretanto, sob diferente arranjo, soa-me estranha,
Periodicamente sou assim, descompassado, noutro ritmo,
Sonoridade e timbres não usuais, mas sigo sendo o mesmo.

Mescla de nobres maltes, encanta-me aquele doirado,
Contemplo o lento derreter das gélidas rochas d'água,
Quisera sempre ser assim, sempre pronto a surpreender,
Sabiamente amadurecido, sob a sutil gentileza do tempo.

sexta-feira, 12 de março de 2010

[#85] [abend poético] Como serão as manhãs?

CrOMOsSOMOScriATIVOS 2010©
Sua partida tem data marcada, a saudade é já o tempo todo...

MAS e agora, como serão as manhãs?
Em vão, procuro por tão brilhantes olhos,
Talvez encontre a mesma mesa, os cartazes,
Folhas de papel, um lápis, desapontado...

Sem dúvida, serão tardes menos alegres,
Buscarei, sem sucesso, seu charme discreto,
As lembranças de seu inesquecível sorriso,
A romper a timidez e de imediato, arrebatar-me...

Terei razões para olhar para o alto e não a ver?
Tentarei, sem a mesma convicção de sempre,
A fim de ser eu mesmo, melhor do que nunca,
Respirar, transpirar, inspirar quem me cerca...

A noite cairá e sem sua singela e esguia beleza,
Elegância vestida de seda do Extremo Oriente,
Quer seja em vermelho, turquesa ou anil,
Estarei só, a sonhar com sua volta, a sua espera...

sexta-feira, 5 de março de 2010

[#84] [en Español] Listo, Claro, Bien

CrOMOsSOMOScriATIVOS 2010©
Desde mi balcón, veo la calle y sé que no estás allá...

LISTO,
Justo cuando llegué ya tenías alguien en tu vida...
Quizás no sea tu camino más sencillo,
Pero, aunque no sea lo más fácil,
Quiero tener la chance de intentar.

Y a mi, me pregunto, ¿que me quedará?

Claro,
Si hay algo de lógico en el Amor,
No vas a arriesgar lo que ya tienes,
Cambiar lo seguro, lo cómodo, por la duda,
Por el riesgo de una aventura.

Y a ti, te pregunto, ¿que te quedará?

Bien,
Tengo un enorme "NO" como respuesta "por defecto",
Mis penas, mis miedos, mi tristeza, mi pasado,
¿Que tengo que arrojar para que vengas conmigo?
Voy a buscar tu "", ¡porque un "tal vez" ya no me sirve!

Y otra vez pregunto, ¿que nos quedará?

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

[#83] [filtro solar poético] Feitos Avô e Avó

CrOMOsSOMOScriATIVOS 2010©
Fim do dia, à espera de seu sinal verde...

SOB o inclemente ardor dos raios solares,
UVA, UVB, a sigla que queiram conceder,
Impiedosa radiação a castigar-me a face,
Como poderei resistir a tamanha agressão?

As dores d'Alma passam ao corpo físico, enfermo,
O clamor das horas gastas em atividades inúteis.
Desespero-me, frente a convenções e protocolos,
Intransigentes, a não permitir mais saber quem sou.

Um sentimento contido, comprimido, sufocado,
Necessito urgentemente expressá-lo, externá-lo!
Temores e traumas do passado serão superados,
Tomo coragem para declarar-me, sim, é isto mesmo!

E lá no futuro, estaremos lado a lado, feitos avô e avó,
Um simples olhar e logo saberemos um do outro,
Mais além de paixões e desejos, seremos cúmplices,
A contemplar a passagem do tempo, sabiamente.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

[#82] [poema deficiente] Blind Dumb Deaf

CEGO por ti, vago por entre imagens distorcidas,
Lentes desfocadas e erros de paralaxe.
Em vão, acredito que, um dia, talvez,
A luz volte a meus olhos e possa voltar a ser quem sou.

Mudo por mim mesmo, calado e contido, facilmente
Esqueço as palavras, quando a teu lado tento estar.
Sem sucesso, busco ecoar meu outrora estridente
E agora reprimido canto aos quatro cantos da Terra.

Surdo pelo sonho de sermos, um dia, braços e abraços,
Solenemente ignoro as mais variadas tentativas de conselho,
Quiçá não haja cura de tais delírios e da insistente esperança,
Sou réu confesso, sem falta cometer, pelo visto, falado e ouvido.

domingo, 20 de dezembro de 2009

[#81] [poema de primeira] Amante de Segunda

CrOMOsSOMOScriATIVOS 2009©

Campinas skyline at twilight time

 
PRETÉRITO, mais que perfeito, finito,

Parcas lembranças opacas, translúcidas,
Tempo verbal interrompido, acabado,
Por onde passa a luz, porém nada se vê.

Decidi deitar, eu, fora as velhas
Fórmulas, conceitos, filosofias,
Discurso empolado, palavras vazias,
Pensamentos fugazes, atraso de vida.

Opto receber, pois então, as novas
Sensações, deleites, picardias,
Desejo em chamas, sandices sadias,
Caminhos d‘aventura, doce sabor da brisa.

Isento de culpa, remorso ou pesares,
Abraço calorosamente a escolha feita,
Mesmo sendo um amante de segunda mão,
Espero verdadeira paixão, em primeira mão!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

[#80] [poema em claro] Calor

CrOMOsSOMOScriATIVOS 2009©
Sempre Juntos! Cartaz no Eixo Norte-Sul, Campinas.
Sempre Juntos! Cartaz no Eixo Norte-Sul, Campinas.

GMT +3, Groenlândia?

Não!

Prefiro carlo, não, calor!

Carlo, não!

Carol, sim!

Calor com Carol?

Claro, Carol!

Por Carol, lacro meu coração!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

[#68] [en français] C'est temps de vivre

CrOMOsSOMOScriATIVOS 2009©
Ponte Pênsil, São Vicente, Brasil
J'attends l'ouverture du pont, patiemment... Du calme, s'il vous plait!

ON se regarde, on se rencontre,
J'ai besoin de toi, tu t'en vas...
Des mémoires, des souvenirs,
Tu connais bien mes désires...

On commence à danser, on se retrouve,
Je ne suis qu'un gamin, quand tu ris...
Des morceaux, des chansons populaires,
Je voudrais bien savoir que tu penses...

Chaque parole, une nouvelle émotion, je t'écoute,
Ah! Je pourrais rester là, avec toi,
Jusqu'au but de la nuit, de ma vie...

Mais, on doit partir, le soleil arrive,
Sur les nuages e de l'espoir, je rêve de toi:
C'est temps de réveiller, c'est temps de vivre...


quinta-feira, 28 de maio de 2009

[#79] [poema arrebatado] Indecifrável e Divinal

CrOMOsSOMOScriATIVOS 2009©
Mesa do Boteco Belmonte, Praia do Flamengo, Rio de Janeiro
E nem precisa pedir, pois sempre vem mais um, mais um e mais um...

SUAS delicadas vestes, encanto celestial,
Conquista imediata, efeito mais que instantâneo,
Inquestionável beleza, impacto inicial,
Musa idealizada, meigo sorriso, expontâneo.

Seu olhar tão distante, em busca do inusitado,
muito além do comum, por vezes o indecifrável,
Observa, atenta, a todo e qualquer movimento,
Quiçá imcompreendida, sei quem é, inigualável.

Em devaneio a envolvo, abraços e carinhos, docemente,
Sou seu protetor, honrado cavaleiro andante,
Brisa noturna a afagar nuas espaldas, em riste,
Traz breve frescor litorâneo a tão bela e alva face.

Discreto, vejo através de suas lentes, intelectual,
Sou atento admirador, dedicado amigo ouvinte,
Noites desveladas a embalar ditosos sonhos, divinal,
Inspiram vigoroso alento a tão humilde e assaz aspirante.


terça-feira, 26 de maio de 2009

[#78] [Reflexão a bordo do 511, Urca - Leblon]

CrOMOsSOMOScriATIVOS 2009©
Chopp no Boteco Belmonte, Jardim Botânico, Rio
Combinação infalível: choppinho bem tirado, empadinha de camarão, água mineral com gás e claro, uma ótima companhia!

SABER, dentre tantos, ser de um ,
Quando somente este alguém basta,
Obrigado,
Ou
Pensar ser de todo mundo,
Mas no fundo, ser de ninguém,
De nada?


segunda-feira, 18 de maio de 2009

[#76] [poema pluvial] Démodé? Jamais!

CrOMOsSOMOScriATIVOS 2009©
Estádio Mário Filho, o Maracanã!!!
Jogo no Maraca, no meu Rio de Janeiro, do ano todo, sempre...

SEVERA noite chuvosa, em terras além da fronteira,
Avisam ventos cortantes, entretanto, que há de ser valoroso
Nobre esforço ao transpor tal caminho, dura estrada,
A fim de almejar, surpreendido, aquilo que já não buscava.

Calorosa acolhida recebo, em nobre casa deveras ilustre,
Celebram taças brilhantes, certamente, que há de ser único
Pronto encontro ao cruzar tais destinos, longa espera,
A fazer-me enxergar, encantado, aquela que já não aguardava.

Ensaio sensatez, meço cada movimento, aparento controle,
Imerso na vastidão imprecisa de meus pensamentos, pergunto:
Mas para que ocultar-me entre olhares, gestos e palavras,
Se afinal descobri, que ainda que soe «démodé»,«naïve»,

Mais importante é aceitar-se imperfeito, incompleto,
Reconhecer-me um sentimental, emotivo incurável, sanguíneo,
Permitir-me, conforme passam as horas de um longo dia,
Despertar, enfim, para a vida, renovado, feliz ao seu lado?


[#77] [poema metropolitano] Solitário

CrOMOsSOMOScriATIVOS 2009©
Trânsito na Marginal Tietê, São Paulo
E enquanto isto, na Metrópole, o caos me aguarda...

HOJE sinto-me um tanto quanto estranho, descompassado,
A pele algo oleosa, a mente algo inquieta,
Noto os outros como sempre, sou observado como nunca,
Contas a pagar, a vida toda por resolver.

Não que me sinta extraordinário, tampouco vejo-me desprezível,
A barba por fazer, a impressão de estar deslocado,
Ao olhar meu reflexo, sou um mero expectador, fatigado,
Imposto retido na fonte, preocupações estampadas na fronte.

Tento, em vão, sorrir em meio à multidão emudecida,
Pudera ser arlequim, ao invés de reles «faz-me-rir»,
Mordaz, sufocado, à procura da dignidade perdida, roubada:
Transe coletivo, desencanto em larga escala, indiferença.

Busco, enfim, encontrar-me noutro alguém solitário,
Quisera ser espelho, em lugar de mera e fria sombra,
Fugaz, cansado, à espera da paixão idealizada, sonhada:
Sentimento edificante, regozijo em profusão, bem-querença.


quinta-feira, 7 de maio de 2009

[#75] [poema praiano] Meu Mar Paulista

CrOMOsSOMOScriATIVOS 2009©
Estrada de Santos, Rodovia SP-150
Do alto da Serra, vejo o Mar Paulista, minha casa...

PEÇO sua licença e benção, ó Poeta do Mar,
Velho Mestre, homem de nobres ideias e lutas,
Que por tão querida terra por Brás Cubas fundada,
Proclama, inspirado, seu Amor infinito, eterno.

Frente ao mesmo Oceano, que tanto sonhou e viveu,
Sou tão pequeno, ao tentar grafar visões íntimas,
Particulares, de um coração cansado e perdido em
Ondas e na espuma, que delicadamente tocam-me os pés.

A cada navio que vejo chegar ao agigantado Porto,
Entendo que a saudade diminui a cada desembarque,
Transatlânticos partem, esperanças renovam-se,
Longa viagem os aguarda, hão de encontrar seu destino.

Morna e calma, em carícias, envolve-me a brisa praiana,
Traz consigo a paz que tanto esperava, sem talvez merecê-la,
E tal qual à Musa, outrora tão desejada, em meio a devaneios,
Dedico humilde canto, enamorado, distante, em silêncio.


sábado, 14 de março de 2009

[#74] [poema em LP]

CrOMOsSOMOScriATIVOS 2009©
Entrada de Santos, Rodovia SP-150
E logo o sol nasce em meu escritório, a praia!

[LADO A]

PROCESSO criativo, discussão positiva,
Visões distintas, opiniões relevantes,
Mentes em exercício, experiências combinadas,
Inspirações diversas, resultados inquietantes.

Verdadeira parceria, em palavra e acepção,
Simbiose em plena prática, mútua compreensão,
Parte e contraparte em fecunda reciprocidade,
Relação «ganha-ganha», prova de cumplicidade!

[LADO B]

Despertador? As carícias dos primeiros raios de sol da manhã...
Ar condicionado? Uma janela aberta, beija-me a ventania no rosto!
Possibilidades? Todas, infinitas, ao alcance dos olhos, a um estalar de dedos.
Limite? O Céu, talvez, se existir, descubro quando estiver lá...

Caminhos: retas e curvas, declives e aclives, natureza e asfalto. Pé na tábua!
Energia: nutrição adequada, dieta balanceada, inusitadas combinações. Só delícias!
Matéria-prima: lembranças diversas, memórias revisitadas. Só escolhe quem conhece!
Forma e conteúdo: a incansável busca por equilíbrio e harmonia. Mais, sempre mais!

segunda-feira, 9 de março de 2009

[#73] [poema mutante] Meu Coração Wolverine

s4br 2008©
Night in Mexico City
Sons e luzes em meio a escuridão...

TENHO um coração 'Wolverine',
Protegido por 'Adamantium', duro e frio,
Que a cada golpe sofrido, a cada nova paixão,
Segue vivo a pulsar, renascido.

Fator de cura, genes modificados,
Envolto em ilusões, sou um ser solitário,
Mutações sentimentais, o encontro marcado,
De um super-herói sem glórias, outrora despedaçado.

Em densa floresta de sonhos, refugiado,
Grito por socorro, sufoco as lágrimas,
Busco acelerar a melhora, um remédio,
Poção mágica, pílula azul, o que seja!

E eis que ouço ao longe tua voz,
Recobro a consciência, recupero a visão,
E com toda atenção deste mundo, te pergunto:
Por quem cantas, será por mim, será por nós?


terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

[#72] [poema aéreo] Rios, Pontes & Subways

s4br 2009©
Finger no Aeroporto de Congonhas, São Paulo.
Pronto para decolar, de CGH a THE!!!

QUERIA, sim, era pular o Carnaval,
Até chegar o próximo feriado, Páscoa,
Padroeira, aniversário, passatempo:
Passa, tempo! Passa logo!

Precisava, mesmo, era saltar o tédio,
Desaparecer com esta monotonia,
Embarque, desembarque, passagem de ida e volta:
Volta sempre! Volta !

Uma ponte? Que seja, então, etérea, aérea!
Curto o tempo, supero a distância,
A converter milhas em poucos passos,
E a imensidão do céu em meu espaço!

Um rio? Que sejam, enfim, dois, ora pois!
Prorrogo a estadia, encurto o percurso,
A transformar palavras em alguns versos,
E o encontro das águas em teu santuário!


sábado, 21 de fevereiro de 2009

[#71] [um poema folião] Meu Carnaval é de Cinzas

s4br 2009©
THE by night...
Atravesso a avenida, mas não vejo a Apoteose...

TEMPO em que sinto-me algo estranho, deslocado,
Pois se vivo o ano todo, a vida toda a sorrir,
Por que haveria, bem agora, de fazer diferente,
Já que contrariar é a regra, quando regra não há?

Feriado em que pareço bem mais sério, calado,
Pois se passo os dias, a cada dia como sendo único,
Por que teria, justo hoje, de ser de outro jeito,
Já que o irreal é o real, quando realidade não há?

Reinado de Momo, Baco tropical sem bagos, nem uvas,
Cercado, de fato, por rainhas e princesas efêmeras,
Cujos pés e passos não param, frenéticos, há horas,
Cobertas de prata, banhadas em suor, desejos e aplausos .

Início do fim de longa hibernação, letargia coletiva,
Marca, na prática, o começo de um ano já não inteiro,
De cumprir-se as promessas esquecidas há dois meses,
Vestidas de branco, regadas a licor, brindes e borbulhas.

Meu Carnaval é de Cinzas, do grito à quarta-feira derradeira,
Meu Ano Novo atrasado, há várias semanas parado, incerto e preguiçoso,
Pois não me basta estar palhaço, rei ou otimista só por três dias,
Quero rir, reinar e viver todos os dias, ser eu mesmo e mais ninguém!