segunda-feira, 28 de julho de 2008

[conforto poético] Potável

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Tláloc, Dios de la Lluvia: Museo Nacional de Antropología, México, DF.
Tláloc, Dios de la Lluvia: Museo Nacional de Antropología, México, DF.

SOU um refém da água potável,
E do conforto da vida moderna,
Tanto o quanto for cômodo,
Tudo o que seja mecânico.

Ainda que não seja eterno,
Por mais que pareça inquebrável,
Algo que seja eletrônico,
De uso e manejo automático.

Pergunto-me, será tudo isto realmente necessário?

4 comentários:

Raphael R Barbosa disse...

Potável: Mais um texto postável como todos do blog.

Sempre um texto inquietante, agradável, provocante e palatável.

Somos todos reféns da água potável, claro. Mas o conforto da vida moderna é necessário? Quantos metros cúbicos de carbono liberamos para o conforto cúmulo de que não precisamos?

Sou também culpado, com meus MP3, MP4, Smartphone e demais gadgets.

Na beira disse...

To be or not to be

Ser ou não ser, eis a questão. Acaso é mais nobre a cerviz curvar aos golpes da ultrajosa fortuna, ou já lutando extenso mar vencer de acerbos males?
Morrer, dormir, não mais. E um sono apenas, que as angústias extingue e à carne a herança da nossa dor eternamente acaba, sim, cabe ao homem suspirar por ele.
Morrer, dormir. Dormir? Sonhar, quem sabe?
aí, eis a dúvida. Ao perpétuo sono, quando o lodo mortal despido houvermos, que sonhos hão de vir? Pesá-lo cumpre.
..........
Quem ao peso de uma vida de enfados e misérias quereria gemer, se não sentira terror de alguma não sabida coisa que aguarda o homem para além da morte, esse país misterioso donde um viajor sequer há regressado?
Este só pensamento enleia o homem; este nos leva suportar as dores já sabidas de nós, em vez de abrirmos caminho aos males que o futuro esconde, e a todos acovarda a consciência.
Assim da reflexão à luz mortiça a viva cor de decisãp desmaia;
E o firme, essencial cometimento, que esta idéia abalou, desvia o curso, perde-se, até de ação perder nome.

Machado de Assis, Ocidentais, Poesia Completa

Não tente me entender... disse...

Vivo este drama diariamente...
Como vamos viver sem água?

Obrigada por me visitar!
Bjs

Marcos Paulo disse...

É caros, com isso podemos ver como somos reféns da modernidade!