terça-feira, 14 de agosto de 2007

[momento de reflexão] O silêncio

s4br 2007©

Uma paisagem para ouvir 'Enjoy the Silence'...

Ao ler o artigo publicado pelo amigo Alexandre no 'blogue' "O Gato que Pesca", intitulado "Silêncio", pus-me a refletir e a tecer algumas palavras sobre o interpretado. Um genuíno e legítimo "Momento de Reflexão"... Eis o resultado.

Forte abraço!

MOMENTO acolhedor, protetor, reparador.

Há de ser apreciado, vivido, sentido.

Pois em silêncio, compreende-se, encontra-se, escuta-se.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

[poema numérico] Contagem Regressiva

s4br 2007©

Não importa quantos somos, mas quem somos!

MAS seriam 4 cavanhaques e 1 bigode?
Ou então 4 ases e 1 curinga?
Não, 4 casamentos e 1 funeral, não!
Melhor, 4 copos e 1 "Bourbon"!

Talvez 3 Mosqueteiros e 1 D'Artagnan?
Que tal, Los 3 Amigos e 1 estória?
Melhor, 3 talheres e 1 prato principal!

Quem sabe 2 combustíveis e 1 motor?
Melhor, 2 raquetes e 1 bom jogo!

Porém, melhor mesmo, é ser 1 entre nós e 1 só sermos, sempre juntos.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

[crônica] Vida (de solteiro, de casado, dos filhos)

s4br 2006©
Boate, carro esporte, ah, a noite... Mas será só isso mesmo a vida???
Boate, carro esporte e (ah!) a noite...
Mas será só isso mesmo a vida???


Olá novamente! Numa conversa com amigos e amigas, ao ser questionado sobre os assuntos vida de solteiro, vida de casado, filhos, etc, acabei por escrever o artigo abaixo, o qual publico em primeira mão.

Não que pretenda ser sociólogo ou psicólogo, já que não possuo formação para tal. Entretanto, creio ter algo a acrescentar a temas tão polêmicos, cujas discussões são praticamente intermináveis.

Espero que seja de bom proveito a todos.


Introdução: viver solitário ou numa solitária?

QUANTO não se ouve sobre a tal 'vida de solteiro': só festa, só bagunça, nada de responsabilidade, nada de compromisso. Porém, será mesmo este o comportamento de alguém solteiro ou de alguém muito bem preso, amarrado, vigiado?

O termo solteiro vem, de acordo com o Dicionário Priberam 'On-Line' da Língua Portuguesa, do latim 'solitariu', mesma origem da palavra portuguesa 'solitário'. Alguém abandonado, só, um eremita, que evita a convivência.

Porém, este 'solitariu' distancia-se muito do atual solteiro. O solteiro atual conta vorazmente com os recursos que estiverem ao seu alcance, não se importa com aqueles que o cercam, por vezes nem consigo mesmo.

Sabe que precisa de mais e mais, não divide, não reparte, consome os recursos que tiver a seu alcance, desconhece a palavra 'não', ignora os sentimentos de outrem, empatia, então, não lhe passa pela mente o que venha a ser.

E ao pensar que assim é livre, leve e solto, mal sabe que, a bem da verdade, não passa de uma vítima da falta de auto-conhecimento, de amor próprio e auto-estima. Vive sob a pesada vigilância de uma sociedade limitada e limitante, lotada de valores artificiais e interesses escusos, em troca de falsa benesses e pretensa liberdade.

Ou seria viver numa 'solitária', reservada a criminosos de alta periculosidade?


Um ciclo da vida ou mera tradição?

O problema está, provavelmente, na criação que as próprias mães dão (impõe) aos filhos: estes, ao procurarem uma noiva, querem encontrar a própria mãe. Ou seja, a 'esposa ideal' será uma mera substituta da 'mamãe querida', Complexo de Édipo mesmo. E quando o pimpolho encontra uma noiva que se encaixe no modelo, sogra e nora entram imediatamente em conflito, ainda que por vezes silencioso, mas ruidoso nos bastidores.

E há os benefícios nesta 'troca de dona'? Mamãe prepara aquela lasanha que só ela sabe fazer; esposa ideal veste aquela roupa mais bonita, para fazê-lo feliz; mamãe reclama que o 'filhinho' não aparece mais em casa; esposa ideal reclama que 'Mô' (pois 'Amor' é uma palavra muito longa em reclamações) chega tarde do trabalho e não janta mais em casa. Mas tudo isso é só porque ele considera-se 'querido', não são exigências do cargo de 'pimpolho da mamãe' ou 'Mozinho da minha vida'. Ledo engano.

Até que chegam os filhos, transformando a vida numa penosa missão de, no mínimo, 21 anos, 'sem direito a condicional'. Vive-se para os filhos, pelos filhos, mas nem sempre com os filhos. Claro, a criança faz gracinha, brinca, aprende. Até que surgem escola, amigos, namoros, baladas, carro, faculdade, etc.

Pronto, a criança cresceu e descobriu-se que fora criada para o mundo, não pra si. Um choque, porém, de fato necessário. E de esposa ideal, a mulher torna-se a mamãe querida, o ciclo renova-se, a vida segue, como sempre foi, desde algum ponto na pré-história, quando o ser humano escolheu viver em sociedade e não em bandos.


Auto-conhecimento e preparo:

Será, então, a tal 'vida de solteiro' é uma transgressão, um abuso, um acinte à lógica do ciclo vital do ser humano? Ser solteiro, nesta concepção de mundo, é ser um doente, um ser bizarro, um ponto de desvio na curva, um corpo estranho, um desajustado social.

Não se pode, segundo tal imposição ditatorial, ser feliz consigo mesmo, encontrar-se, realizar-se, sem a presença fiscalizadora e na maioria das vezes, inibidora, de alguém que insiste em chamar a contraparte de 'Amor', 'Mô', 'Mozinho', como se não tivesse mais nome ou isto não fosse importante.

E se talvez, os seres humanos começassem a procurar, primeiro em si mesmos, tudo o que há de bom e construtivo, para fazê-los desabrochar, florescer e assim, ter à sua volta aqueles que realmente atraíram-se por si?

Pois buscar cegamente no externo, em outro alguém, o que nem em si descobriu-se, talvez seja o maior da humanidade. Saber de si, sem egoísmo ou isolamento, mas numa jornada de auto-conhecimento, para enfim, encontrar-se no outro, completar-se, dar de si e receber da contraparte.

A luz interna a brilhar, de dentro para fora; encher-se de flores, para que venham as beija-flores e borboletas, ao invés de caçá-las inutilmente, com redes, armadilhas e artimanhas. Enjaulados, não voam com desenvoltura, não espalham o néctar, não cumprem seu papel, de embelezar a natureza e exprimir o toque divino em tudo o que há na vida.

E, enfim, iluminados e dispostos, naturalmente, encontrar-se-ão os correlatos. Mágica? Sorte? Ou seria o encontro da oportunidade com o preparo, sem falsos artifícios? Com a certeza de que uma etapa necessária à existência termina, para dar lugar a uma nova etapa, cheia de novos desafios, derrotas e vitórias, a vida, até então perdida, ganha sentido, motivação, verdade.


Conclusão: um passo à frente é necessário!

Eis que surge um novo passo: conhecer mais de si, ao ver-se refletido, de forma cristalina, no outro. Caminhar juntos, troca justa, ajuda mútua, crescimento em via de mão-dupla, vaidades postas de lado, um pelo outro, onde e quando for.

Missão difícil, mas não impossível, mesmo para um ser humano preso a tradições carnívoras, aprisionadoras, limitantes. Ao conviver em harmonia, compreende-se melhor a si mesmo e ao outro, já que formam um novo uno, mais forte e abrangente, cujo somatório é inegavelmente maior do que dois, quiçá uma soma vetorial, em que esforços comuns convergem em mesma direção, sentido e intensidade, para o bem comum.

Sucessores fortes e bem preparados, virão com naturalidade, sob o signo da consciência e do conhecimento. Bem nutridos de amor, carinho e inteligência, representarão a 'Nova Era', viverão ciclos virtuosos de vitalidade e compreensão mútua.

Enfim, o caminho é longo, árduo, mas o resultado será compensador. Basta começar agora, já. Descobrir-se a si mesmo, para descobrir o mundo e a Origem e destinação de tudo.

Forte abraço!

quinta-feira, 12 de julho de 2007

[chamado poético] O Chamado

s4br 2007©
Il faut savoir quitter la table, lorsque l'amour est desservi...
Comme avait chanté Monsieur Charles Aznavour:
"Il faut savoir quitter la table, lorsque l'amour est desservi"...


E eis que, motivado pela leitura do texto de Trebor Basques, intitulado 'Calor', pus-me a combinar algumas palavras, que serviriam de comentário e resposta ao próprio. O resultado segue abaixo.

Forte abraço!

A chama incita o chamado.
O colo promove o toque.
A insônia denota a falta.
O calor impele a alma.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

[confronto poético] Combinação

s4br 2007©
Castanha de caju ou Chocolate suíço? Por que não ambos, já que a mistura é única e inusitada?
Castanha de caju ou Chocolate suíço?
Por que não ambos, já que a mistura é única e inusitada?


SERÁ que tua praia ensolarada
Com meu dia-a-dia nublado combinam?
Façamos, então, da Beira-mar, meu escritório
E dos arranha-céus, teu observatório.

Será que tua beleza iluminada
Com minha contumaz retórica combinam?
Façamos, então, da inspiração, meu discurso
E da eloquência, teu elogio.

Será que meu implacável juízo
Com tua ousadia espontânea combinam?
Façamos, então, do desvelo, tua paixão
E das fantasias, meu diapasão.

Será que meu chocolate suíço
Com tua castanha de caju combinam?
Façamos, então, dos Alpes, teu Sertão
E das Dunas, meu Cantão.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

[comentário poético] Difícil

s4br 2007©

Sabes mesmo onde pisas? Isto é pedra, madeira ou pintura?

Enviado à equipe de 'É tarde, vou dormir...', como comentário ao inquietante texto 'Um dia especial':

UM dia que, só por estar junto daqueles que realmente importam e que realmente importam-se consigo, torna-se um dia único e valoroso.

Difícil é relacionar-se, sem tomar posse, sem subjugar a contraparte.

Difícil é abraçar, sem sufocar, sem cercear o espaço de outrem.

Difícil é partir, sem levar saudades, sem deixar lembranças.

Forte abraço!

terça-feira, 12 de junho de 2007

[poema imperativo] Esgota-me.

s4br 2007©

Bairro do Morumbi, São Paulo (com pouca luz, mas vale a abstração...).

ESGOTA-ME, a energia vital esvai-se,
Exauri-me, a força mental desaparece,
Enfraqueça-me, o ânimo diário evapora-se,
Explora-me, o físico corpóreo desfalece.

Enjaulada, resigna-se a fera, mas não se dociliza,
Sob grades e cercas, trata as feridas, cura doenças,
Abatido, recupera-se o gigante, mas não se rende,
Sobre duro e frio leito, revê os fatos, repõe forças.

Pouco a pouco, cede o pesado fardo da culpa,
O exílio, outrora interminável, é assim, superado,
Passo a passo, finda o longo caminho da busca,
O labirinto, até então intransponível, é enfim, vencido.

Alivia-me, o prazer perdido reaparece,
Abraça-me, tua necessária proteção apresenta-se,
Aqueça-me, o cobertor protege a quem merece,
Ama-me, tua natural vocação, revela-se.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

[poema a cores] Meditação em azul

s4br 2007©

Como surgiu esta fotografia? Ouça Chronologie e comprove...

JÁ havia tentado o negro, depois o cinza, enfim o branco,
Talvez por serem discretos, neutros, talvez por medo:
Escuridão pardecenta, penúmbra, seja noite ou seja dia, perdido.

Eis que surgem o esmeralda, depois o turquesa, enfim o verde,
Talvez por serem naturais, selvagens, talvez por experiência:
Inspiração vital, ave rara, seja vegetal ou seja mineral, infinito.

Vieram então o amarelo, depois o laranja, enfim o vermelho,
Talvez por serem quentes, nervosos, talvez por destempero:
Explosão luminosa, calor, seja verão ou seja inverno, derretido.

Por fim chegou o violeta, depois o anil, enfim o azul,
Talvez por serem frios, calmos, talvez por conveniência:
Meditação em azul, profundo, seja mar ou seja céu, imerso.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

[visão poética] Poetizo

s4br 2007©

Arte moderna, Starbucks, Frankfurt, GER.

Cena 1: o fato

JUNTO a ti, de forma virtual ou não,
Acabo quase sempre a poetizar os fatos,
De palavras usadas até simples gestos,
Do quotidiano ao inusitado, sem maior distinção:
Torno-me inevitavelmente inspirado.


Cena 2: o caminho

Em plena marcha, sem demora ou distração,
Passo finalmente a seguir a rota do destino,
De estradas largas até escuros caminhos,
Do concreto ao asfalto, sem qualquer indicação:
Torno-me notadamente concentrado.


Cena 3: o encontro

Agradável, o tempo passa rapidamente, sem sentir,
De um simples sanduíche e suco natural, tem-se um jantar,
Amigável, o assunto flui naturalmente, sem perceber,
De uma simples conversa e sorrisos sinceros, tem-se um encontro:
Torno-me novamente vivo.


Cena 4: o improviso

Aprazível, o 'tour du propriétaire' é sucinto, sem cansar,
De conceitos diversos e arte moderna, tem-se um estilo,
Confortável, o 'living room' é arrojado, sem exagerar,
De formas diversas e improvisos inteligentes, tem-se um lar:
Torno-me imediatamente impressionado.


Cena 5: o silêncio

Um filme na televisão, ouço vozes estrangeiras e um piano,
Ando nas pontas dos pés, piso em cascas de ovos,
Todo o cuidado é pouco, a atenção redobrada, silêncio!
Teu merecido sono é prêmio, para um dia de trabalho árduo:
Torno-me especialmente zeloso.


Cena 6: o sonho

No conforto do sofá, observo teu rosto e teus sonhos,
Respiro fundo, tento ensaiar alguns versos,
Toda a tensão à tona, a garganta seca, socorro!
Tua delicada beleza é consolo, para o impasse que me arrebata:
Torno-me incorrigivelmente romântico.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

[poema fatalista] C'est fini, c'est la vie...

s4br 2007©

Bicicleta sem ciclista: solidão ou tempo de descanso?

I

DÉJÀ-VU?
Lugares até mudam,
Mas a estória se repete.


II

Again?
O tempo parece até ser outro,
Mas as situações são idênticas.


III

¿Otra vez?
Atores, atrizes, novo elenco,
Mas o roteiro invaria, é fatal.


IV

Oh não, de novo não!
Um espetáculo que começa bem,
Cujo final, porém, já se sabe de antemão: c'est fini, c'est la vie...

quarta-feira, 2 de maio de 2007

[poema astigmático] O Conflito

s4br 2006©

Sim, eu sei que horas eram...

UMA luz refletida em tons dourados
Fez-me ver o que há muito não via:
Olhar sincero, sorriso aberto,
Palavras doces, desejos à flor da pele.

Sob um aspecto duro, por vezes crítico,
Reside um coração verdadeiro e solitário,
À espera de merecida compreensão e cumplicidade,
De toda a paixão guardada e pronta a surgir.

Maniqueismo individual, o Hades e o Olimpo em conflito,
O equilíbrio entre o bem e o mal, choque de opiniões,
Dualidade e ambiguidade, saudáveis ao uno que somos,
Sabedoria e ternura, necessárias à luta nossa de cada dia.

[outro poema de bar] O Convite

s4br 2007©

A mesa, solitária, num momento de reflexão...

O convite fora amplo, feito a todos.
A resposta, sempre clara, é dada a quem merece.
O trajeto, mesmo que sinuoso, é obstáculo transposto.
A chegada, início caloroso, demanda o brinde.

A sede é logo vencida, gole a gole, copo a copo.
O assunto é atual e a todos importa, anima.
A fome fica para trás, sob as chamas de um 'rechaud'.
O verbo talvez coincida, mas na verdade, confirma.

O fato de estarmos aqui nos transforma, edifica.
A presença de tão nobres cavalheiros é única, distinta.
O ruído por vezes distorce o sentido das coisas, nos cega.
A lembrança, memória indelével, porém, é visão eterna, vida vivida.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

[participação especial] O Pródigo

s4br 2007©

Espaço reservado ao 1º ano do 'blogue' de Trebor Basques!

MINHA casa é onde estou, cidadão cosmopolita.
Meu refúgio é pra onde vou, falso fugitivo.
Minha chegada é sempre, viajante frequente.
Meu retorno é agora, verdadeiro pródigo.


P.S.: E coube o número 41 (#41, da Dave Matthews Band!) à justa homenagem ao amigo Trebor Basques! É como sempre dissemos, nada é por acaso...

sexta-feira, 30 de março de 2007

[poema de bar] Sobre a mesa

s4br 2007©

Garçom, a conta, por favor!

SOBRE a mesa não há somente copos e garrafas,
Sentimos alegria, ouvimos estórias, bebemos verdades.

Sobre a mesa não há somente pratos e talheres,
Dividimos experiências, contamos anedotas, comemos sinceridade.

Sobre a mesa não há somente cinzeiros e bitucas,
Falamos bobagens, pensamos loucuras, respiramos satisfação.

Sobre a mesa não há somente a conta e a saideira,
Vemos brilho no olhar, sorrimos amizade, até pagamos, mas preço, não há.

terça-feira, 27 de março de 2007

[um clique poético] Fotografia

s4br 2006©

Estação / Gare de Benešov, CZE

EM fotos me vejo diferente,
Luzes, matizes, tons, sombras:
Jogo de mostrar e esconder, imagem fixa,
Movimento captado, olhar perspicaz.

Posso ser quem quero parecer,
Faço poses, caras e bocas,
Posso parecer quem quiser ser,
Faço de mim objeto e motivo do retrato.

Fotografia é mente projetada em lentes,
Pensamento traduzido em imagem,
Não uso "flash", quero tudo como está,
Foco e desfoco, disparo e pronto!

Mensagem codificada em cristais de prata e película,
Em mapas binários, digitais, memória eletrônica,
O sim e o não, o aceso e o apagado, o visto e o sonhado,
Revelam-se sobre papel ou tela, à espera de um olhar...

quinta-feira, 22 de março de 2007

[homenagem poética] Entre uns e outros

s4br 2006©

De que vale um gramado só pra olhar?

O primeiro casou cedo e depois separou,
O outro, em uma semana vai ao altar.

O filho de um briga e sai de casa,
O do outro, em uma semana nasce.

O primo de um tem bebês gêmeos,
O outro, adota João e Maria (ou seriam 'padawans'?).

A amada de um tem vergonha, 'vergoinha',
A do outro, sofre, 'sofreninho'.

Um reencontra a amada após sete anos,
O outro, entre sete numa casa, encontra a sua.

A amada de um vai ao Paraná, mas sempre volta,
Já a do outro, deixou o Paraná e não volta mais.

Um perde o emprego porque é bom,
O outro, também. E logo encontram nova casa.

Por que a pressa?, um perguntou,
Pera lá, pera lá, pera lá, outro responde.

O teatro de um era trágico,
Mas junto dos outros, tornou-se mágico.

O convite de um tem um porquê,
A resposta do outro, um 'por que não'?

O relógio de um indica o momento vivido,
Os outros, já sabem, sem dúvidas, são 11:11h.

sexta-feira, 16 de março de 2007

[jogo rápido] Algumas quadras alinhavadas, parte um:

s4br 2006©

Cafeteria e Doçaria: juntos, amargo e doce...

I

SEXTAS-FEIRAS, não as comemoro,
Feriados e pontos facultativos, tampouco.
Celebrações gratuitas, vazias,
Falso alívio de tensões diárias.


II

Tempo e espaço, noção já não há,
Passado e presente, quem dera.
Felicidade restrita, insípida,
Triste fuga da realidade indesejada.


III

Poluição, pelo mundo se espalha,
Visual e sonora, atmosférica e hídrica.
Degradação escandalosa, erosão do solo,
Iminente perigo num ambiente agressivo.


IV

Pensamentos, nem sempre claros, indistintos,
Desejos e anseios, turbilhões emotivos.
Incontáveis encontros, desencontros,
Silencioso clamor de almas inocentes.


V

Palavra, ferramenta da expressão viva,
Escrita e lida, por vozes cantada e proferida.
Esperada compreensão, código cifrado,
Saudável satisfação de objetivo alcançado.

segunda-feira, 12 de março de 2007

[missão poética] Encontro Marcado

s4br 2006©

Vista do Jardim da Arquiduquesa d'Áustria

DISTANTE, tenho encontro marcado
Com o destino que me cabe,
Ainda que não o aceitasse,
Sei que o momento é chegado.

Um passo à frente, evolução se exigia,
Em batismo de fogo, novo ciclo se inicia,
Ver o que antes, em trevas, não se via,
Ouvir o que antes, em ruídos, não se ouvia.

Recebo em mãos, saber milenar, infinito,
Sob forma de letras, prosas e versos,
Em pedra talhada, pergaminhos e papiros,
A compreensão de que só e um só é o caminho.

sábado, 3 de fevereiro de 2007

[musa perdida] Simples e elegante

s4br 2006©

Hauptwache, Frankfurt, GER

SIMPLES e elegante, vestida nobremente,
Mãos e pés igualmente delicados,
O olhar, perdido em pensamentos (aparentemente vagos),
Uma leve melancolia no ar...

(interpreto) Um silêncio discreto,
Sensação de prisão dentro de si mesma,
A necessidade de expressar-se
E não saber como ou para quem fazê-lo.

Sei que posso mudar a história (minha, sua, nossa?),
Mas como romper o "gelo" (dúvidas, dúvidas...)?
Como quebrar o protocolo (a sociedade, sempre ela!),
Apresentar quem sou (o que penso, o que posso)?

Encorajo-me, respiro fundo (agora é a hora!),
Ouço um violão, uma voz melodiosa,
Composição inspirada e inspiradora (sim, sim!),
Trilha sonora de um filme mudo, em branco e preto.

Envolto em súbita coragem (querer é poder!),
Deixo-me levar, mas já é tarde (outra vez, não!).
Na sinfonia urbana, no caos sonoro, sua imagem se esvai,
Entre fumaça, fuligem, buzinas e uma leve brisa de verão...

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

[poema em trânsito] Ou é Fiesta ou é táxi...

s4br 2007©

Miraram bem na olhoca direita! Que obra!

OU é Fiesta, ou é táxi:
Nada de ficar parado no trânsito.

Ou é guarda-chuva, ou é ônibus:
Nada de se preocupar com caronas.

Ou é fila, ou é avião:
Nada de desespero no saguão.

Ou é sim, ou é não:
Nada de algo em lugar algum.