segunda-feira, 16 de julho de 2007

[crônica] Vida (de solteiro, de casado, dos filhos)

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Boate, carro esporte, ah, a noite... Mas será só isso mesmo a vida???
Boate, carro esporte e (ah!) a noite...
Mas será só isso mesmo a vida???


Olá novamente! Numa conversa com amigos e amigas, ao ser questionado sobre os assuntos vida de solteiro, vida de casado, filhos, etc, acabei por escrever o artigo abaixo, o qual publico em primeira mão.

Não que pretenda ser sociólogo ou psicólogo, já que não possuo formação para tal. Entretanto, creio ter algo a acrescentar a temas tão polêmicos, cujas discussões são praticamente intermináveis.

Espero que seja de bom proveito a todos.


Introdução: viver solitário ou numa solitária?

QUANTO não se ouve sobre a tal 'vida de solteiro': só festa, só bagunça, nada de responsabilidade, nada de compromisso. Porém, será mesmo este o comportamento de alguém solteiro ou de alguém muito bem preso, amarrado, vigiado?

O termo solteiro vem, de acordo com o Dicionário Priberam 'On-Line' da Língua Portuguesa, do latim 'solitariu', mesma origem da palavra portuguesa 'solitário'. Alguém abandonado, só, um eremita, que evita a convivência.

Porém, este 'solitariu' distancia-se muito do atual solteiro. O solteiro atual conta vorazmente com os recursos que estiverem ao seu alcance, não se importa com aqueles que o cercam, por vezes nem consigo mesmo.

Sabe que precisa de mais e mais, não divide, não reparte, consome os recursos que tiver a seu alcance, desconhece a palavra 'não', ignora os sentimentos de outrem, empatia, então, não lhe passa pela mente o que venha a ser.

E ao pensar que assim é livre, leve e solto, mal sabe que, a bem da verdade, não passa de uma vítima da falta de auto-conhecimento, de amor próprio e auto-estima. Vive sob a pesada vigilância de uma sociedade limitada e limitante, lotada de valores artificiais e interesses escusos, em troca de falsa benesses e pretensa liberdade.

Ou seria viver numa 'solitária', reservada a criminosos de alta periculosidade?


Um ciclo da vida ou mera tradição?

O problema está, provavelmente, na criação que as próprias mães dão (impõe) aos filhos: estes, ao procurarem uma noiva, querem encontrar a própria mãe. Ou seja, a 'esposa ideal' será uma mera substituta da 'mamãe querida', Complexo de Édipo mesmo. E quando o pimpolho encontra uma noiva que se encaixe no modelo, sogra e nora entram imediatamente em conflito, ainda que por vezes silencioso, mas ruidoso nos bastidores.

E há os benefícios nesta 'troca de dona'? Mamãe prepara aquela lasanha que só ela sabe fazer; esposa ideal veste aquela roupa mais bonita, para fazê-lo feliz; mamãe reclama que o 'filhinho' não aparece mais em casa; esposa ideal reclama que 'Mô' (pois 'Amor' é uma palavra muito longa em reclamações) chega tarde do trabalho e não janta mais em casa. Mas tudo isso é só porque ele considera-se 'querido', não são exigências do cargo de 'pimpolho da mamãe' ou 'Mozinho da minha vida'. Ledo engano.

Até que chegam os filhos, transformando a vida numa penosa missão de, no mínimo, 21 anos, 'sem direito a condicional'. Vive-se para os filhos, pelos filhos, mas nem sempre com os filhos. Claro, a criança faz gracinha, brinca, aprende. Até que surgem escola, amigos, namoros, baladas, carro, faculdade, etc.

Pronto, a criança cresceu e descobriu-se que fora criada para o mundo, não pra si. Um choque, porém, de fato necessário. E de esposa ideal, a mulher torna-se a mamãe querida, o ciclo renova-se, a vida segue, como sempre foi, desde algum ponto na pré-história, quando o ser humano escolheu viver em sociedade e não em bandos.


Auto-conhecimento e preparo:

Será, então, a tal 'vida de solteiro' é uma transgressão, um abuso, um acinte à lógica do ciclo vital do ser humano? Ser solteiro, nesta concepção de mundo, é ser um doente, um ser bizarro, um ponto de desvio na curva, um corpo estranho, um desajustado social.

Não se pode, segundo tal imposição ditatorial, ser feliz consigo mesmo, encontrar-se, realizar-se, sem a presença fiscalizadora e na maioria das vezes, inibidora, de alguém que insiste em chamar a contraparte de 'Amor', 'Mô', 'Mozinho', como se não tivesse mais nome ou isto não fosse importante.

E se talvez, os seres humanos começassem a procurar, primeiro em si mesmos, tudo o que há de bom e construtivo, para fazê-los desabrochar, florescer e assim, ter à sua volta aqueles que realmente atraíram-se por si?

Pois buscar cegamente no externo, em outro alguém, o que nem em si descobriu-se, talvez seja o maior da humanidade. Saber de si, sem egoísmo ou isolamento, mas numa jornada de auto-conhecimento, para enfim, encontrar-se no outro, completar-se, dar de si e receber da contraparte.

A luz interna a brilhar, de dentro para fora; encher-se de flores, para que venham as beija-flores e borboletas, ao invés de caçá-las inutilmente, com redes, armadilhas e artimanhas. Enjaulados, não voam com desenvoltura, não espalham o néctar, não cumprem seu papel, de embelezar a natureza e exprimir o toque divino em tudo o que há na vida.

E, enfim, iluminados e dispostos, naturalmente, encontrar-se-ão os correlatos. Mágica? Sorte? Ou seria o encontro da oportunidade com o preparo, sem falsos artifícios? Com a certeza de que uma etapa necessária à existência termina, para dar lugar a uma nova etapa, cheia de novos desafios, derrotas e vitórias, a vida, até então perdida, ganha sentido, motivação, verdade.


Conclusão: um passo à frente é necessário!

Eis que surge um novo passo: conhecer mais de si, ao ver-se refletido, de forma cristalina, no outro. Caminhar juntos, troca justa, ajuda mútua, crescimento em via de mão-dupla, vaidades postas de lado, um pelo outro, onde e quando for.

Missão difícil, mas não impossível, mesmo para um ser humano preso a tradições carnívoras, aprisionadoras, limitantes. Ao conviver em harmonia, compreende-se melhor a si mesmo e ao outro, já que formam um novo uno, mais forte e abrangente, cujo somatório é inegavelmente maior do que dois, quiçá uma soma vetorial, em que esforços comuns convergem em mesma direção, sentido e intensidade, para o bem comum.

Sucessores fortes e bem preparados, virão com naturalidade, sob o signo da consciência e do conhecimento. Bem nutridos de amor, carinho e inteligência, representarão a 'Nova Era', viverão ciclos virtuosos de vitalidade e compreensão mútua.

Enfim, o caminho é longo, árduo, mas o resultado será compensador. Basta começar agora, já. Descobrir-se a si mesmo, para descobrir o mundo e a Origem e destinação de tudo.

Forte abraço!

Um comentário:

fernando monteiro disse...

é complexo o quanto a sociedade indaga-te a partir de determinada idade para q tenhas alguem mesmo que não seja o melhor pra vc... ¬¬'