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quarta-feira, 2 de maio de 2007

[poema astigmático] O Conflito

s4br 2006©

Sim, eu sei que horas eram...

UMA luz refletida em tons dourados
Fez-me ver o que há muito não via:
Olhar sincero, sorriso aberto,
Palavras doces, desejos à flor da pele.

Sob um aspecto duro, por vezes crítico,
Reside um coração verdadeiro e solitário,
À espera de merecida compreensão e cumplicidade,
De toda a paixão guardada e pronta a surgir.

Maniqueismo individual, o Hades e o Olimpo em conflito,
O equilíbrio entre o bem e o mal, choque de opiniões,
Dualidade e ambiguidade, saudáveis ao uno que somos,
Sabedoria e ternura, necessárias à luta nossa de cada dia.

quinta-feira, 22 de março de 2007

[homenagem poética] Entre uns e outros

s4br 2006©

De que vale um gramado só pra olhar?

O primeiro casou cedo e depois separou,
O outro, em uma semana vai ao altar.

O filho de um briga e sai de casa,
O do outro, em uma semana nasce.

O primo de um tem bebês gêmeos,
O outro, adota João e Maria (ou seriam 'padawans'?).

A amada de um tem vergonha, 'vergoinha',
A do outro, sofre, 'sofreninho'.

Um reencontra a amada após sete anos,
O outro, entre sete numa casa, encontra a sua.

A amada de um vai ao Paraná, mas sempre volta,
Já a do outro, deixou o Paraná e não volta mais.

Um perde o emprego porque é bom,
O outro, também. E logo encontram nova casa.

Por que a pressa?, um perguntou,
Pera lá, pera lá, pera lá, outro responde.

O teatro de um era trágico,
Mas junto dos outros, tornou-se mágico.

O convite de um tem um porquê,
A resposta do outro, um 'por que não'?

O relógio de um indica o momento vivido,
Os outros, já sabem, sem dúvidas, são 11:11h.

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

[indignação poética] De dentro de um ônibus, eu vejo...

s4br 2006©

E que horas são?

COMBUSTÍVEIS fósseis, queima incompleta,
Cigarros acesos, fumaça ao alto, inconsequentes,
Ricos, pobres, burgueses e mendigos,
Terra de ninguém, mundo cão. E quem se importa?

Mentes indóceis, vida desperdiçada,
Armas apontadas, mãos ao alto, impiedosas,
Nobres, plebeus, senhores e vassalos,
Terra abandonada, mundo frio. E a quem interessa?

Meros recursos, sem distinção de credo e origem,
Presos à terra, vínculo compulsório, perpétuo,
Vivemos a nova idade média, feudalismo moderno,
Sob trevas de concreto e aço, asfalto e fuligem,

Chuva ácida, corrosiva, destrói mentes e pensamentos,
Brutalizados, perdemos a noção de espaço e tempo,
Entregues à fúria, à bioquímica e a atos reflexos,
Meros seres existentes, irracionais, não mais viventes.

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

[en español] Ventana

s4br 2006©

Horário inusitado, astros e mentes alinhadas...

VENTANA abierta,
Horizonte largo,
La mirada se va a lejos,
Los ojos, a las nubes...