
Jogo no Maraca, no meu Rio de Janeiro, do ano todo, sempre...
SEVERA noite chuvosa, em terras além da fronteira,
Avisam ventos cortantes, entretanto, que há de ser valoroso
Nobre esforço ao transpor tal caminho, dura estrada,
A fim de almejar, surpreendido, aquilo que já não buscava.
Calorosa acolhida recebo, em nobre casa deveras ilustre,
Celebram taças brilhantes, certamente, que há de ser único
Pronto encontro ao cruzar tais destinos, longa espera,
A fazer-me enxergar, encantado, aquela que já não aguardava.
Ensaio sensatez, meço cada movimento, aparento controle,
Imerso na vastidão imprecisa de meus pensamentos, pergunto:
Mas para que ocultar-me entre olhares, gestos e palavras,
Se afinal descobri, que ainda que soe «démodé»,«naïve»,
Mais importante é aceitar-se imperfeito, incompleto,
Reconhecer-me um sentimental, emotivo incurável, sanguíneo,
Permitir-me, conforme passam as horas de um longo dia,
Despertar, enfim, para a vida, renovado, feliz ao seu lado?

